Futebol Nacional

Times históricos: Santos de 1995

Time não conquistou o Brasileiro, mas brilhou muito no campeonato daquele ano

Por: Redação PLACAR

Santos, vice-campeão brasileiro de 1995| ALEXANDRE BATTIBUGLI
Santos, vice-campeão brasileiro de 1995 | Crédito: ALEXANDRE BATTIBUGLI
Ao falar do Santos, muitos citam o time de 2002. Talvez até o de 2011. Mas esses já são muito falados. Uma geração de santistas hoje, surgiu graças ao time de 1995. Outros tantos, recuperaram seu orgulho com aquele time, mesmo em um período de seca que era vivida pelo time.

Um erro de arbitragem pode ter tirado o título daquele time, em 1995 (isso ainda é muito discutível, pois houve erro para os dois lados), mas a qualidade da equipe ficou marcada na memória de santistas e torcedores do bom futebol.

Comandados por Giovanni, um camisa 10 de muita qualidade, o Peixe foi longe naquele ano. No gol, mais do que um goleiro com qualidade, o time tinha um símbolo. Edinho era filho do Rei Pelé, maior ídolo da história do clube.

Narciso e o já experiente Marcos Adriano, vindo do São Paulo, davam segurança necessária ao time na linha defensiva. Gallo era o homem da proteção do meio de campo, que além da marcação, ainda trazia muita qualidade com a bola nos pés e técnica para chutes e lançamentos. 

No meio, criando para o time, além de Giovanni, o time tinha Robert, jogando pela primeira vez em um time grande, chegando para a disputa do Campeonato Brasileiro. Ele, ao contrário dos demais, teve uma segunda chance e conquistou o Brasileiro pelo Santos em 2002. Mas, na meia, outro destaque era Marcelo Passos, importante parta aquele clube.

Macedo era um dos experientes jogadores do Santos em 1995 - SILVIO PORTO

No ataque, a experiência e qualidade de Macedo se contrastavam com a juventude, mas também com muita qualidade de Jamelli, garoto das bases do São Paulo. O time ainda tinha Camanducaia, um dos talismãs daquele time.

Todos comandados por Cabralzinho, nascido em Santos e revelado pelo clube da Vila Belmiro, que já tinha tido uma experiência como técnico em 1991 e que assumiu o clube após a queda de um ídolo do comando, Coutinho.

Sem título desde o Paulista de 1984, a fila já começava a incomodar os torcedores. E o primeiro torneio de 1995 foi o Paulista.

Santos, no Paulista, contra o Corinthians, em Ribeirão Preto - Edinho, Maurício Copertino, Cerezo, Gallo e Piá; Ronaldo, Jamelli, Giovanni, Macedo, Luís Muller e Carlinhos - ALEXANDRE BATTIBUGLI

Na primeira fase do torneio, com 16 equipes, em turno e returno, o clube foi terceiro colocado, com 13 vitórias, onze empates e apenas seis derrotas, ficando à frente do atual bicampeão Palmeiras.

Na segunda fase, no entanto, no grupo 2, com Corinthians, Portuguesa e União São João, o time foi apenas terceiro colocado, com uma vitórias, dois empates e três derrotas. A fila seguia.

O time não disputou a Copa do Brasil, restando o Brasileiro e Supercopa Libertadores para o segundo semestre. Na Supercopa, o time enfrentou o Independiente-ARG logo na primeira fase. Empatou por 1 x 1 na Argentina, com gol de Jamelli, mas também empatou por 2 x 2 na Vila Belmiro, com gols de Camanducaia e Giovanni. Nos pênaltis, o Independiente venceu por 3 x 2 e avançou às quartas de final.

Giovanni era o camisa 10 do Santos em 1995 - PISCO DEL GAISO

No Brasileiro, no entanto, o Santos fez uma campanha ótima. O torneio seria disputado em dois turnos, com dois grupos divididos. No primeiro turno, os clubes enfrentavam equipes do próprio grupo, com o vencedor indo diretamente para a semifinal. No segundo turno, os clubes enfrentam rivais do outro grupo, classificando o primeiro colocado para a semifinal. Os dois grupos tinham 12 clubes cada.

O Peixe iniciou o torneio já muito bem, chegando perto da vaga. Em onze jogos dentro do grupo, venceu seis, empatou um e perdeu quatro, ficando a dois pontos de Fluminense (campeão do turno) e Internacional, segundo colocado. O Peixe fez 19 pontos, mesmo do São Paulo (quarto colocado), mas ficou à frente por ter uma vitória a mais.

No segundo turno, enfrentando rivais da outra chave, o Peixe disputou rodada a rodada com o Atlético-MG e se classificou com um ponto a mais. Foram oito vitórias, três empates e apenas uma rodada. Foram 25 gols (melhor ataque do returno) e apenas 13 gols sofridos.

O time iniciou o segundo turno com um empate em 4 x 4 contra o Bragantino, em casa, e um empate em Caxias do Sul com o Juventude, por 1 x 1. Em seguida, venceu Grêmio e Cruzeiro, mas foi goleado pelo Vitória, por 0 x 4 na Bahia. A partir daí, o Peixe voou.

Fez 3 x 0 no Flamengo, no Rio. Empatou com o Paraná fora de casa e em seguida venceu todas as cinco partidas restantes. Fez 3 x 0 no Corinthians e 1 x 0 no Palmeiras. Depois bateu Paysandu, Botafogo e Guarani. Neste jogo contra o Guarani, garantiu vaga na final, superando o Atlético-MG, que também vinha de cinco vitórias seguidas. O que mudou foi seis rodadas antes. Enquanto o Peixe empatava com o Paraná, o Galo fora goleada pelo Botafogo por 0 x 5, no Rio. 

Gallo trazia segurança ao meio de campo do Peixe - RICARDO CORREA

Com isso, o Santos chegou à semifinal do Brasileiro contra o Fluminense, que era do seu grupo pela campanha no primeiro turno, mas que foi nono colocado no returno.

Com campanha melhor que todos os clubes, o Santos tinha vantagem de decidir em casa e dos dois resultados iguais contra os rivais, com um ponto de vantagem sobre o Botafogo.

Santos na final do Campeonato Brasileiro de 1995 - ALEXANDRE BATTIBUGLI

No dia 7 de dezembro de 1995, no Maracanã, o Santos saiu na frente do Fluminense, mas foi surpreendido. Giovanni fez 1 x 0 aos 21 do primeiro tempo, mas o Flu, na segunda etapa, especialmente no fim, foi surpreendente. E ainda no primeiro tempo, o Santos poderia ter marcado mais. Aos 4 minutos do segundo tempo, Renato Gaúcho, sozinho na pequena área, empatou para o Fluminense. Aos 24, Ronald virou para o Flu, cobrando pênalti. Robert e Jamelli ainda foram expulsos. O Peixe até criou chances com um a menos, entre uma expulsão e outra. Contudo, a surpresa viria no fim. Aos 44 e aos 46, Leonardo e Cadu marcaram os gols que transformariam a vitória em goleada.

No jogo da volta, o Santos precisaria de um milagre. O clube necessitaria devolver os três gols de diferença para ficar com a vaga. E foi aí que brilhou a estrela do "Messias" Giovanni. No Pacaembu, ele brilhou, fez dois gols e teve uma partida digna de nota 10. 

Camanducaia comemora gol que ajudou Peixe a vencer o Fluminense - RICARDO CORREA

O Fluminense começou levando mais perigo, já que o Santos, todo no ataque, deixava espaços. Mas com 25 (de pênalti) e 29 do primeiro tempo, marcou os dois primeiros do Santos, que se aproximou da vaga. Até o fim do primeiro tempo, o Santos ficou perto de mais um gol, colocando até bola na trave. Macedo, aos cinco do segundo tempo, com assistência de Giovanni, marcou o gol que daria a vaga ao Peixe, mas dois minutos depois, Rogerinho descontou e colocou o Fluminense de volta na briga. Aos 16, Camanducaia, novamente com assistência de Giovanni, fez o gol que daria a vaga, e aos 38, Marcelo Passos, com toque de calcanhar de Giovanni, garantiu o Peixe. Rogerinho ainda descontou aos 40, mas o Santos passou com convincente vitória de 5 x 2.

O primeiro jogo da final seria no Maracanã, contra o Botafogo. Com 18 do primeiro tempo, o zagueiro Gottardo fez 1 x 0 para os cariocas. Aos 38, Giovanni empatou tudo. Contudo, ainda no primeiro tempo, aos 44, Túlio Maravilha colocou o Botafogo na frente. O jogo da volta, no entanto, seria no Pacaembu, e qualquer vitória daria título ao Peixe.

Jamelli e Edinho eram jovens daquele time santista - RICARDO CORREA

Contudo, com 24 do primeiro tempo, no Paca, Túlio Maravilha, em impedimento, fez 1 x 0 para o Botafogo. Aos 2 do segundo tempo, Marcelo Passos, também em impedimento, empatou o jogo para o Santos, que ainda precisava de mais um gol. Depois disso, Camanducaia ainda marcou outro gol para o Santos, em posição legal, mas o gol foi anulado por impedimento visto por Márcio Rezende de Freitas.

Apenas de não ter conquistado títulos, esse time do Santos ficou marcado na história por resgatar o orgulho santista, que estava um pouco perdido na década de 1990, pelos desempenhos ruins da equipe naquele ano.

Santos, vice-campeão brasileiro de 1995 - Narciso, Carlinhos, Marquinhos Capixaba, Ronaldo Marconato, Marcos Adriano e Edinho; Giovanni, Jamelli, Robert, Camanducaia e Marcelo Passos - ALEXANDRE BATTIBUGLI


Fonte: Redação PLACAR